Peres quer desviar o foco. Mas sabe: Robinho pode até ser preso

São Paulo, Brasil

Acossado pela crescente dívida santista, que impede a contratação de um elenco competitivo.

Falta de dinheiro que fez o clube perder seu maior acerto, a contratação de Jorge Sampaoli.

Mais a dificuldade de encontrar um parceiro real para trazer a Vila Belmiro para o século XXI. 

Enfrentando a decepção de contratar o ‘mestre de de Jorge Jesus”, se esquecendo que o português estava aposentado, está à beira dos 74 anos, sem o vigor para se adaptar ao peculiar futebol brasileiro, com sua cobrança afobada e personalista. Por isso, Jesualdo Ferreira está à beira da demissão.

José Carlos Peres precisava criar um fato positivo.

E apelou para o velho caminho.

Dizer que está para contratar Robinho. 

Veterano jogador de 36 anos, atual reserva do Istanbul Basaksehir, na Turquia.

Seu contrato termina em junho e o dirigente afirma que está negociando com o atacante, confirmmou ontem, orgulhoso, para jornalistas.

O presidente tinha de desviar o foco da certeza que, se o Santos perder para o Palmeiras e para o Defensa y Justicia, pela Libertadores, Jesualdo será mandado embora.

E teve de avisar que pode levar um grave problema legal para a Vila Belmiro. E que vai muito além da triste decadência do atacante que, um dia saiu do Santos para o Real Madrid, para ser o melhor ‘jogador do mundo’. 

Graças ao absurdo parâmetro que colocou para sua carreira, por mais que esteja milionário, graças à vida de nômade, o balanço final de sua jornada é de um enorme fracasso.

Decepcionou no Real Madrid, Manchester City, Milan,Guangzhou Evergrande, Atlético Mineiro, Sivasspor e no Basaksehir.

O Santos, para onde tenta voltar pela quarta vez, sempre foi seu refúgio para péssimos momentos no Exterior.

O jovem franzino, velocista, driblador, rei das pedaladas, fazem parte do imaginário coletivo santista. Data de 18 anos atrás, na final do Brasileiro de 2002.

Robinho atual é lento, prefere o passe aos dribles, não tem a movimentação exigida no futebol de elite para um atacante.

A limitação da idade é algo indiscutível.

Não bastasse há a gravíssima condenação na Itália.

Estupro coletivo contra uma jovem albanesa, em 2013.

A nona seção do Tribunal de Milão divulgou em novembro do ano passado, a condenação de nove anos de prisão de Robinho. 

“Segundo uma juíza do tribunal, Robinho e um dos seus amigos envolvidos no caso, Ricardo Falco, mostraram um “desprezo absoluto” pela jovem de 18 anos, “exposta a humilhações repetidas, bem como a atos de violência sexual pesados”, descrito em suas “conversas interceptadas”, de acordo com a séria agência de notícias Ansa.

O processo levou seis anos até que a a sentença fosse divulgada.

Robinho sempre negou o estupro.

Nada falou sobre a condenação.

Mas jamais voltou a pisar na Itália desde que a acusação foi formalizada.

Nem passou por países que tenhamm acordo de extradição com os italianos, para não correr o risco de ser preso.

Caso volte mesmo para o Brasil, a sua situação pessoal tem muita chance de ficar complicada.

Apesar de a Constituição proibir a extradição de pessoas nascidas para o Brasil, com condenação no Exterior.

Robinho, no entanto, pode ter de cumprir a pena no Brasil.

O artigo 7 do Código Penal prevê a punição a brasileiros por crimes cometidos no Exterior.

Ou seja, basta o Superior Tribunal de Justiça homologar a pena de Robinho e ele teria de cumprir a pena a que foi condenado na Itália.

Não haveria novo julgamento,

Vários advogados insistem que a situação é simples.

E problemática para Robinho.

Basta lembrar o que aconteceu com Neymar, apenas acusado de ter estuprado a modelo Najila Trindade. O caso aconteceu em Paris. E o jogador precisou se defender aqui, no Brasil.

Além disso, há a promessas de grupos feministas em protestar contra o jogador, como fizeram no Atlético Mineiro, que deixaram a situação do atacante insuportável.

Diretoria e time do clube de Belo Horizonte ficaram aliviados com a ida dele à Turquia.

José Carlos Peres sabe de toda essa situação.

Se trazer o jogador para o Santos, assumirá todos os efeitos colaterais.

Peres será o responsável pelo ambiente no clube, caso Robinho tenha de encarar a justiça.

“Estamos em processo de trazer o Robinho. Está iniciado. Estamos em processo. Ele primeiro precisa sair de lá da Turquia”, garantiu o dirigente, ontem, na CBF.

Peres quer ainda se aproveitar da dívida de R$ 4 milhões que o Santos tem com o jogador. E, com a promessa de ir pagando ‘aos poucos’, oferecer o contrato de um ano e meio ao atacante.

Só que Peres e seu staff precisam estar mais atentos.

O nome de Robinho provocou mais rejeição do que empolgação na Vila Belmiro.

A condenação na Itália por estupro é pesada demais.

O dirigente criará uma enorme área de atrito caso contrate o jogador.

É bom lembrar que Peres já escapou de um processo de impeachment.

Mas seus detratores seguem se fortalecendo.

Robinho pode ser a munição que sonhavam…

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