O personagem Neymar está matando os sonhos de Juninho

São Paulo, Brasil

Rancor.

Este é o grande combustível.

A cinco meses de completar 28 anos, ele parece finalmente entender que sua carreira está pior do que estagnada.

Caminha para trás.

Xingado, ‘agredido’ com chuvas de bolas de papel, filho ofendido, mãe xingada pela própria torcida do PSG.

Com o nome esquecido no teatra Scala, em Milão, logo mais na premiação do melhor jogador do mundo.

Verá de longe, se quiser, entre Van Dijk, Messi e Cristiano Ronaldo. 

Não ficou nem entre os dez da Europa nesta temporada.

Vai concorrer com outros 15 atletas para estar no ataque da Seleção da Fifa.

Vergonhosa compensação para alguém com tanto talento.

O mundo descobriu sua solidão.

Um ídolo mundial que precisa pagar até R$ 55 mil mensais a cada um dos seus ‘parças’.

Para trabalharem para ele.

E que, por amizade sincera, também acompanhá-lo na Europa, defendê-lo, posar para as fotos, fazer declarações de amor eterno no Instagram.

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O Mundo Deportivo mostrou o quanto é lucrativo ser “Toiz”.

A dedicação nos jogos contra o Strasbourg e Lyon foi um sinal. 

Ele atuou a sério, deu dribles objetivos, em direção ao gol, não para impressionar a platéia como focas equilibram bolas em circos. 

Não jogou para ele, sim pelo time.

Não provocou adversários, não perguntou quais os salários de seus marcadores.

Não rolou no chão, simulando patéticas convulsões por pontapés que não o atingiram.

Nem reclamou, xingou em português ou sorriu ironicamente para árbitros e bandeiras.

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Manteve o foco no futebol.

E decidiu as duas partidas do seu retorno forçado como jogador do Paris Saint-Germain.

Não escondeu na semana passada, que queria estar vestindo outra camisa e estar bem longe da França. Queria o retorno ao Barcelona.

Mas como está longe de ser burro, percebeu o recado público dado por seu amigo/mentor/irmão Messi.

“Não sei se o Barcelona fez tudo para o seu regresso.”

A mensagem é clara.

O argentino tem pleno conhecimento que o clube catalão não quis, nem de longe, chegar perto dos 222 milhões de euros, cerca de R$ 1 bilhão, que a família real qatariana exigia pelo brasileiro. Queria o que pagou ou nada feito.

Nada feito.

O Real Madrid nem fez questão de brigar de verdade por sua contratação. Por dois motivos. O primeiro, as duas fraturas no mesmo osso, o quinto metatarso do pé direito.

O segundo, a declaração de amor ao maior rival, o Barcelona.

A diretoria e torcedores ficaram revoltados com a postura a favor dos catalães e desistiram do bilionário negócio.

Clubes ingleses não querem saber do problemático brasileiro. Eles detestam atletas que simulam faltas. Acreditam ser desonestidade e não malícia, esperteza, tentar enganar os árbitros.

Além disso, as farras do jogador, em plena recuperação das fraturas, foram exploradas pelos tablóides sensacionalistas.

Assim como seu caso sexual com Nagila Trindade, que o acusou na polícia de estupro e agressão. 

As imagens dos tapas na cara que levou de Nagila foram repedidas ‘ad nauseam’ na Inglaterra. 

Assim como suas simulações na Copa da Rússia.

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Equipes bilionárias como Manchester City, Manchester United, Chelsea, Liverpool nem cogitaram a sério a busca pelo brasileiro.

Na conservadora Alemanha, o Bayern também virou as costas ao talentoso jogador.

Na Itália, a Juventus considerou não valer o custo/benefício.

O também brasileiro Leonardo foi duro, o colocou no seu lugar: o de um jogador importante do clube. Com obrigações para cumprir. Por contrato. Não por favor.

Ele entrou no lugar do permissivo português Antero Henrique, que articulou com o pai do atacante sua vinda para a França, virando as costas para o Barcelona, em 2017.

E que havia prometido que no clube seria tratado como um rei para que conquistasse a Bola de Ouro, como o melhor do mundo.

Mal sabia Antero Henrique que, contratando o brasileiro, estaria envenenando o seu próprio cargo. Leonardo já foi avisado pela família real qatariana que acabaram os privilégios.

E que a estrela do time é Mbappé.

O que restou foi o abraço e o amor interessado de Tite.

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O treinador da Seleção seguirá perdoando tudo o que ele fizer até a Copa de 2022. Não porque não enxergue seus abusos. Mas porque precisa do seu futebol.

E o contrato até 2022 com o Paris Saint-Germain.

Por tudo isso, seu convite não é especial para a festa no teatro Scala.

Se aparecer, estará concorrendo por um lugar de coadjuvante. 

Aqui os outros 14, na briga pelo ‘ataque da Fifa’.

Sergio Aguero (ARG/Manchester City), Karim Benzema (FRA/Real Madrid), Cristiano Ronaldo (POR/Juventus), Roberto Firmino (BRA/Liverpool), Antoine Griezmann (FRA/Atlético de Madrid), Son Heungmin (COR/Tottenham), Harry Kane (ING/Tottenham), Robert Lewandowski (POL/Bayern de Munique), Sadio Mane (SEN/Liverpool), Kylian Mbappé (FRA/Paris Saint-Germain), Lionel Messi (ARG/Barcelona), Mohamed Salah (EGI/Liverpool), Raheem Sterling (ING/Manchester City) e Luis Suárez (URU/Barcelona).

Suas chances são mínimas.

Seus parças não ganharam passagens, ternos, gravatas, sapato, para a torcida sincera pelo amigo, que caminha para ser o primeiro jogador do Brasil a ganhar um bilhão na carreira.

A fraternidade Toiz estará longe de Milão.

Talvez até mesmo Neymar não apareça.

Ele detesta bater palmas.

Não estar no centro dos holofotes.

Daí a mudança para Paris.

Esta é origem do rancor.

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O brasileiro mais talentoso dos últimos dez anos não pode colocar a culpa em ninguém.

Não se tornou o jogador que poderia ser.

Sabotado pelo ego.

Com seu dom com a bola nos pés, tinha a obrigação de estar no teatro Scala, brigando com seu mentor/amigo/irmão Messi, com o excepcional zagueiro Van Dijk, com o Cristiano Ronaldo.

Um dos três teria de ficar fora. 

Um lugar tinha de ser seu.

Só que preferiu a esbórnia, as farras, as simulações, as provocações, os chiliques, as fotos com garrafas de cerveja, as poses vazias de celebridade nas redes sociais.

E os afagos dos amigos que contrata por R$ 55 mil mensais.

Criou um mundo de fantasia para alimentar sua carência.

Tudo que conseguiu foi não ser levado a sério.

Pela Europa, pela Fifa.

Pelo mundo civilizado do futebol.

Que a CBF não faz parte.

São dois anos de fracassos retumbantes.

O PSG não chegou nem perto do título europeu.

O Campeonato Francês é de segunda linha, diante do Inglês, Espanhol, Italiano, Alemão.

Ronaldo foi escolhido como o melhor da Fifa, pela primeira vez, com 20 anos.

Ronaldinho Gaúcho, 22.

Kaká, 25.

Rivaldo, 27 anos.

Só Romário venceu aos 28 anos.

A carreira do melhor jogador brasileiro é decadente.

Só há uma saída.

Que Juninho, apelido dado com amor, por seus familiares, siga jogando com rancor, raiva.

Seriedade, foco, responsabilidade.

Esqueça contratados parças, esbórnia, atrizes globais.

A vida de celebridade.

Enterre de vez o mimado personagem Neymar.

Enquanto há tempo…

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